Acidentes com queimaduras crescem no mês de São João
[unable to retrieve full-text content]

Carliane Gomes
redacao@grupojbr.com
Cerca de 1 milhão de pessoas sofrem queimaduras todos os anos no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). Do total de vítimas, 40% são crianças e 80% dos acidentes acontecem dentro de casa, geralmente por descuido, imprudência ou falta de orientação. Durante o mês de junho, quando aumentam as práticas com fogo, como fogueiras e fogos de artifício, os riscos se intensificam.
No Distrito Federal, o cenário também exige atenção. O Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), referência no atendimento a queimados, costuma registrar aumento de casos nesse período. Em junho do ano passado, foram 91 atendimentos por queimaduras. Nos primeiros quatro meses deste ano, os registros mensais ficaram entre 45 e 50 ocorrências.
Segundo Anderson Ventura, do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), as ocorrências registradas nos meses juninos não são por acaso. “Esse aumento é particularmente acentuado em regiões onde práticas culturais como as "brigas de espada de fogo", um tipo de fogo de artifício pirotécnico tradicional, são mais comuns, resultando em acidentes com alta gravidade”, alerta o militar. Ele lembra que, além dos riscos diretos com fogueiras e fogos de artifício, o mês de junho coincide com o período de seca no Cerrado, o que aumenta também o risco de incêndios florestais. “A maior operação do CBMDF nesse período é a Operação Verde Vivo. As equipes atuam em diversas frentes para garantir a segurança da população e do meio ambiente”, explicou.
Ainda de acordo com o tenente, quase metade das vítimas atendidas no HRAN são menores de 14 anos. “Infelizmente, as crianças estão entre as principais vítimas de acidentes com queimaduras durante as Festas Juninas. A curiosidade e a baixa percepção de risco as tornam extremamente vulneráveis”, destaca.
Além disso, Ventura ressalta que “as crianças devem ser mantidas sempre sob supervisão constante e à distância segura de fogueiras e locais de manuseio de fogos”. Ele alerta ainda que “não se deve permitir que crianças manuseiem fogos de artifício, rojões ou balões”. Para ele, é essencial também educar as crianças sobre os perigos do fogo e dos explosivos de forma clara e objetiva. Em caso de queimaduras, o especialista recomenda que é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.
Prevenção
Entre os principais erros que levam a acidentes, Ventura reforça o uso de combustíveis líquidos para acender ou reacender fogueiras, como álcool, inclusive em gel, e gasolina. “Os vapores invisíveis desses líquidos inflamáveis podem se espalhar rapidamente por uma área muito maior do que a planejada para a fogueira e, ao serem acionados, provocam uma queima súbita e descontrolada, resultando em queimaduras graves e extensas”, alertou.
Para evitar acidentes, o CBMDF orienta que fogueiras sejam montadas em locais abertos, longe de barracas ou vegetação seca, e que nunca se utilize líquidos inflamáveis para iniciar o fogo. “As fogueiras devem ser acesas somente com madeira limpa e seca. O uso de quaisquer outros materiais pode provocar fumaça tóxica e poluição desnecessária, além de apresentar riscos sérios”, frisou a corporação. Além disso, ter água ou areia por perto para controlar ou apagar a fogueira. “Os tradicionais "pulos de fogueira", embora parte da cultura, são extremamente perigosos e podem causar queimaduras graves”.
SAIBA MAIS:
Principais erros que causam acidentes:
- Manuseio incorreto de fogos de artifício, sem treinamento, como acendê-los na mão ou direcioná-los a pessoas e edificações;
- Tentativas de reutilizar fogos que falharam;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que reduz o senso de perigo.
Primeiros socorros
Além dos riscos aumentarem neste período, a falta de informação correta sobre como agir diante de uma queimadura também contribui para o agravamento de muitos casos. A enfermeira Carolina Cunha, chefe do Núcleo de Educação e Urgências do SAMU-DF, reforça que nem todo acidente com fogo deve ser tratado da mesma forma. “Nós temos 3 tipos de queimaduras. A térmica, causada pela alta temperatura, seja por fogo ou por água fervente, a elétrica, provocada por corrente elétrica, e a química, resultante do contato com agentes corrosivos”, explica.
Em qualquer situação, segundo a profissional, o mais importante é agir com cautela e segurança. “Diante de uma vítima por queimadura, a gente sempre tem que avaliar a cena. Num incêndio, por exemplo, o ideal é chamar recurso adicional, que é o 193, do Corpo de Bombeiros. Já em caso de queimadura elétrica, o mais importante é interromper a fonte de energia antes de tocar na vítima, para que você não se torne mais uma pessoa em risco”, alerta Carolina.
A enfermeira orienta que, diante de uma lesão térmica, o primeiro passo é resfriar o local com água corrente fria. “A gente fornece aquela água fria no local, por cerca de 15 minutos ou até aliviar a dor. Isso ajuda a reduzir a profundidade da lesão”, orienta. Segundo ela, é fundamental não estourar bolhas e nem remover a pele queimada, já que essa proteção natural evita a entrada de bactérias e outros contaminantes.
Carolina também chama atenção para o que não deve ser feito em hipótese alguma. “Nunca coloque borra de café, manteiga ou qualquer outro produto na lesão”, afirma. Em situações mais graves, a profissional da saúde recomenda que o ideal é ligar para o 192, onde a equipe médica da regulação poderá orientar o atendimento imediato. “Tem sempre um profissional capacitado do outro lado da linha para te ajudar”, conclui.
Serviço:
- SAMU (192)
- Corpo de Bombeiros Militar (193)
- Procure uma unidade de pronto atendimento (UPA)
- Qualquer hospital da rede pública de saúde do DF.
Advertising by Adpathway




